Pai e filho dividem sua paixão por Macs restaurando um Classic II

Dizem que filho de peixe, peixinho é. No caso de Jon e Ben, parece que isso é bem verdade. Fã de Macs, Jon Wise incentivou seu filho de 13 anos a brincar com seus computadores preferidos e o resultado foi a união de pai e filho na restauração de um antigo Macintosh Classic II. É Jon que conta essa história. Confiram!

IMPORTANTE: Esta é uma tradução livre do texto “Mac Classic II“, escrito por Jon Wise em seu blog “Jon and Nic”, publicada com autorização do autor. Todos os direitos são reservados a Jon Wise, sendo proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização.

O Classic II nunca foi o Macintosh favorito de ninguém. Uma arquitetura de sistema comprometida (um chip de 32 bits estrangulado por um caminho de dados de 16 bits) fez dele um substituto insatisfatório para o agora lendário SE/30, mas que encontrou um nicho como um computador compacto de baixo custo para a Educação. Essa foi a história de nosso Classic II: foi comprado de um professor aposentado, que o adquiriu quando o computador foi retirado de uma sala de aula.

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Classic II antes da restauração

A condição estética não fora bem descrita no anúncio do Facebook Marketplace: tentativas de remover a escrita feita com marcador permanente identificando-o como o computador “#30” da classe resultaram em um texto manchado na parte superior do computador, que havia sido coberto por uma tinta quase branca, diferente do original. O teclado tinha marcações semelhantes, embora sem as tentativas de remoção.

Tirando a parte cosmética, o computador também estava mais morto do que o anunciado: “funciona tão bem hoje quanto fazia 15 anos atrás!” gabava-se o anúncio… mas ao ligar não ouvimos o acorde alegre (ou até mesmo o triste) e a tela foi esquentando muito lentamente até chegar em um padrão xadrez escurecido. Claramente, este Mac em particular precisava de algum amor. Visto que eu o comprei por apenas US$ 60 e que apenas verdadeiros fãs lamentariam sua possível morte, eu decidi que este seria o projeto perfeito para meu filho seguir em carreira solo.

Cuidei do gabinete plástico, removendo a tinta com água quente seguida de uma esfregação com bicarbonato de sódio. O marcador permanente saiu principalmente quando apliquei uma mistura 50/50 de álcool isopropílico e acetona. Um mergulho em um peróxido líquido 40v em uma mistura 20/80 com água quente, mais algumas horas ao sol, e ele saiu com uma aparência bastante respeitável, dado sua história.

Ben montou um inventário dos capacitores de passagem na placa analógica, que verifiquei duas vezes, e identifiquei a maioria dos SMDs na placa lógica. Um pulo ao Mouser.com mais alguns dias para remessa e tínhamos uma caixa de peças novas. Demorou quase dois meses, mas depois da escola, todos os dias, Ben removia a solda de 4 ou 5 capacitores, soldava-os novamente e marcava os substitutos. Ele fez toda a placa analógica, com apenas alguns retoques meus. Uma perna chegou a entortar ao remover-se um capacitor teimoso, mas não chegou a quebrar. Testamos a continuidade e depois reforçamos com cola quente.

A remontagem é dolorosa nessas unidades compactas antigas, especialmente depois de alguns meses durante os quais esquecemos exatamente como desmontamos tudo! Mas o recuperamos, passamos uma extensão para um filtro de linha em outra sala, cruzamos os dedos e o ligamos. Quando o disjuntor não desarmou, alcançamos a porta para ver na tela brilhante e nítida o Mac Feliz, iniciando a partir do antigo disco rígido! A esta altura, eu havia limpado, mas não tínhamos revisado a placa lógica, então não ficamos exatamente surpresos que ainda não houvesse um acorde alegre inicial, nem nada de som quando acionado no Painel de Controle. E lá se foi para outro desmonte.

Antes de iniciar a placa lógica, praticamos uma técnica de ar quente e pasta de solda naquela sucata de placa. Embora tenha ocorrido muito bem nos ensaios, não funcionou tão bem no Mac antigo. A pasta espalhou-se muito e formou pequenas bolotas em áreas indesejáveis. Decidimos seguir nossa abordagem já comprovada com solda tradicional. Remover SMDs é muito chato, não importa como se faça, mas eu tive mais sorte cortando a parte superior e puxando suavemente o resto para fora, antes de usar o calor para despachar os resíduos e limpar os terminais.

Depois de tirar muitas fotos, Ben pacientemente removeu todas os antigos capacitores SMD e os substituiu por capacitores de tântalo. Alguns ângulos eram difíceis para nosso pequeno canhoto, e ele habilmente sugeriu uma abordagem de montagem lateral (que acabei refazendo com minha mão direita). Depois de cada grupo, deslizávamos a placa lógica de volta no encaixe e testávamos. Após o segundo conjunto, o alegre acorde foi finalmente ouvido! Ben completou os capacitores restantes no dia seguinte e fez uma nova instalação do sistema operacional usando meu Emu Floppy (emulador de unidade de disquete) — sua primeira restauração de ponta a ponta! Nada mal para um garoto de 13 anos!

Depois que ele foi para a cama naquela noite, fui fazer alguns ajustes finais, incluindo os assustadores ajustes de alta voltagem para calibrar a tela. Enquanto eu removia a tampa do gabinete, o interior deslizou inesperadamente e rachou o pescoço do tubo de vácuo do CRT. Fiquei com o coração partido — não tem como reparar uma vedação a vácuo! Felizmente, tenho alguns Macs em um armário para peças sobressalentes e, após alguns conselhos de nerds online, Nicole e eu descobrimos que CRTs podem ser trocados, desde que o conector da bobina de deflexão seja transferido (com muito cuidado). Ficou um pequeno desvio no canto inferior direito que não recordamos de ter visto nos testes anteriores: possivelmente o tubo, é possível que não tenhamos montado o conector com a precisão correta. Considerando o quão perto chegamos da perfeição, apesar de tudo que passou (e do risco associado à frágil eletrônica de alta tensão) consideramos uma vitória.

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Classic II depois da reforma

Eu me ofereci para vender o Mac e deixar Ben ficar com o lucro: incluindo cerca de US$ 14 em capacitores, o CRT sobressalente e cerca de US$ 10 para substituir um cabo de teclado que faltava, gastamos menos de US$ 100 nesta restauração. Certamente poderia ser vendido rapidamente por US$ 150 ou 200, o que não é nada ruim para um garoto de 13 anos. Mas ele optou, pelo menos por agora, por tê-lo em seu quarto. Aqui em casa não permitimos aparelhos com acesso à Internet nos quartos, mas um Mac de 29 anos é bastante seguro e certamente ele conquistou o direito de tê-lo em um lugar de destaque!

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Jon trabalha com tecnologia e vive com sua família em Ohio, Estados Unidos. Junto com sua esposa Nicole, mantém o blog Jon and Nic (https://www.jonandnic.com/), onde fala de sua vida e conta suas aventuras.

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Autor: Marco Andrei Kichalowsky

Editor-chefe do macnarama.com, é applemaníaco e trabalha com produtos Apple desde 1993. Foi presidente do Brasil Apple Clube durante 10 anos e colaborador da saudosa Macmania e sua herdeira MAC+ até o fim da revista em 2015.