Programas de troca de iPhone: vale a pena entrar nessa?

Recentemente, estamos (re)vendo o surgimento de programas de compra de iPhone com pagamento parcelado, que ao final do parcelamento, o comprador pode optar por completar o pagamento e ficar com o aparelho, trocar o modelo de iPhone por um mais novo (e entrar em novo parcelamento) ou devolver o aparelho e não fazer o pagamento final. Como o preço é o mesmo preço da Apple, vale a pena entrar nessa?

Primeiro vamos adiantar que o programa não é novidade, na verdade a Apple lançou nos EUA há alguns anos, o iPhone Upgrade Program, que é basicamente ficar pagando enquanto usa seu iPhone e, ao final de dois anos, o consumidor pode trocar de modelo e continuar pagando pelo uso. Ou seja, tu ficas pagando um valor enquanto estiver com o iPhone.

Vejamos um plano recém lançado. Paga-se o iPhone em 21 parcelas sem juros, de 70% do valor do aparelho. Dizem que há um “desconto” de 30% na troca por outro mais novo. Parece bom, não?

Bem, não tem desconto de 30%. Te compram o iPhone de volta no final, na troca, por estes 30%. Tu não ficas com o aparelho antigo, devolve no final, em troca de não pagar os 30% finais. Não são eles que fazem essa recompra, claro. É “um parceiro”. Pode-se dizer que é um “leasing” disfarçado, com terceiros envolvidos, mas é exatamente isso.

Se pensarmos na depreciação, em 21 meses, o iPhone certamente deprecia muito menos que o desconto de 30% na troca. Vale mais a pena comprar parcelado na loja, usar, vender pela metade do preço pago no final de 21 meses, e então comprar um novo. Mas a dor de vender um iPhone pela metade do que pagaste é maior do que a ilusão de estar ganhando 30% de desconto em cada iPhone comprado ao longo dos anos, não?

O programa é bastante bom, prático e válido para quem não quer gastar tempo procurando comprador ou acumulando tralha ao longo dos anos ao automatizar tudo. Acho que tem seu valor para algumas pessoas. Para a maioria, não vale, há alternativas melhores, tanto financeiramente quanto de nível prático.

Para mim, por exemplo, vale a pena, eventualmente vender um iPhone anterior, às vezes em prazo menor que os 21 meses, antes de viajar pra fora (pré-covid e dólar acima de 5) e comprar um novo lá.

Alguns pensariam: “Cara, eu não troco de telefone todo ano. Normalmente eu fico com o iPhone por 2 anos ou mais. Já fiquei 3 anos. Pelo desconto no preço, acho que vale o rodízio. E se o meu não tiver no ponto pra troca, troco da patroa.”

Tudo bem, mas aí não tens o “desconto”. Mas vale a pena pagar os 30% e simplesmente vender ele por mais que esses 30% dois ou três meses depois, e aí sim, entrar no plano de novo, quando sair o iPhone novo. Simplesmente vais usar a loja (ou instituição) que oferece o plano para parcelar em 21 vezes + saldo, sem juros sobre o preço nos novos. Aí vale a pena. Importante é usar o sistema e não deixar ele te usar.

Para meu uso, vale a pena ainda usar por três, quatro, cinco anos, contar com um excelente aparelho durante todo esse tempo, e no final ainda vender por mais que os tais 30% de desconto. Ou ainda, depois desse tempo, passar o tal telefone para um filho/pai/mãe/irmã/sobrinho que ainda tenha um modelo ainda mais antigo.

Não parei para fazer cálculos, mas a lógica é essa.

Na real, ninguém mais precisa de iPhone pra ficar trancado em casa. Usa o computador e uma máquina fotográfica de verdade para fotografar a carne na churrasqueira (meus amigos só postam fotos de suas churrasqueiras). E não se empanturrem de bolo de chocolate de noite. Senão pode dar insônia e dor de barriga. 🙂

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Autor: Fabrício S. Peruzzo

Pai, marido, polímata, empreendedor, curioso. Tranquilidade financeira é qualidade de vida.